Na passagem pelo Recife, o presidente nacional do PT abriu publicamente a porta da casa para receber a armação do palanque duplo em Pernambuco em apoio à reeleição do presidente Lula.
“Se a governadora quiser apoiar o presidente Lula, nós estaremos abertos para dialogar com ela”, disse Edinho Silva, respondendo à pergunta da jornalista Betânia Santana, colunista da Folha de Pernambuco.
Momentos antes, o dirigente havia dito: “o fato de nós estarmos com o candidato e o nosso parceiro, nesse momento, prioritário em Pernambuco, que é candidatura de João Campos, não significa que o PT não irá dialogar com outras lideranças”.
Edinho está correto!
O raciocíno é simples: para ser reeleito, Lula precisa garantir a maior margem possível de votos no Nordeste, onde o lulismo é maior que o petismo. É esta vantagem que pode compensar uma provável derrota em outros estados e regiões, permitindo-lhe subir a rampa do Palácio do Planalto pela quarta vez.
Foi este o recado das urnas em 2022.
Para 2026, o cenário é crítico, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) consolidada, empatada tecnicamente com Lula nas pesquisas, e – de quebra – Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) de linha auxiliar da extrema-direita.
A intenção de Lula é obter o apoio dos nove governadores da região e, na medida do possível, rachar o que se convencionou chamar de Centrão, o que é possível.
Na outra ponta do raciocínio, a reeleição de Raquel Lyra passa por conquistar o voto da maior parte possível do eleitorado que fecha com Lula em Pernambuco.
No 2º turno das eleições de 2022, Lula obteve 67% dos votos válidos em Pernambuco. Para o governo, Raquel obteve 58% dos válidos, vencendo Marília Arraes, que era a candidata da esquerda e de Lula naquele 2º turno.
Os números permitem concluir que há uma intersecção, um contingente de pessoas que fizeram a escolha por Lula e Raquel. O desafio, agora, da governadora é ampliar esse grupo. João Campos aparece à frente nas pesquisas.
No próximo texto de Política com Opinião, que será publicado nessa terça-feira (12), desvelo as movimentações de Raquel para colar em parte do eleitorado de Lula.

