Simbologia não significa necessariamente voto na urna, mas é algo que importa na política. Nesta dimensão, no dia do retorno às sessões das casas legislativas, segunda-feira (2), a governadora Raquel Lyra (PSD) fez melhor do que o prefeito João Campos (PSB).
Há vezes que a sessão que marca a volta aos trabalhos é mero ato protocolar; chato até mesmo para o pessoal da taquigrafia acostumado ao falatório. Mas, dessa vez, não! O clima era de expectativa.
Aquela era a primeira vez em muitos anos que, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara Municipal do Recife, a(o) chefe do Poder Executivo subiria à tribuna precisando dar explicações a denúncias e suspeitas que extrapolaram o ambiente político.
Neste ponto, Raquel e João vivem esse tipo de situação.
Sobre ela, a suspeita de que a estrutura da Polícia Civil possa ter sido usada para espionar adversários políticos; sobre ele, o que parece ser uma articulação política no Judiciário para travar uma investigação criminal do Ministério Público.
Raquel decidiu estar presente à Assembleia e comunicou isso previamente à imprensa e redes sociais. Fez também o que já vem fazendo no quesito performance: discursou com a bandeira de Pernambuco, mobilizou uma frente de parlamentares para chegar acompanhada; falou o que quis e foi embora sem ouvir o líder da oposição. Com ele, quem duela é a líder do governo.
Mais cedo, do outro lado do Parque Treze de Maio, o mistério sobre se o prefeito iria ou não ler pessoalmente a mensagem ao Legislativo perdurou até o momento do secretário de Planejamento do Recife, Jorge Vieira, adentrar o plenário da Casa José Mariano.
Pouco tempo depois, João postou no Instagram foto com o vice-prefeito ao lado do ministro Renan Filho (Transporte). À noite, estava de volta ao Recife, na posse da nova mesa diretora do TJPE.
Para quem assistiu às duas sessões de casa, pela transmissão ao vivo, as coisas na Câmara mostraram-se diferentes da cena da Assembleia, agitadas e meio patéticas.
Antes que pudesse chegar à tribuna, o secretário sendo abordado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), com o celular na mão já filmando, enquanto Rinaldo Júnior (PSB) e Cida Pedrosa (PCdoB) tentavam demovê-lo. Dali em diante, tudo voltou ao protocolar.
Na reabertura dos trabalhos no Legislativo, é possível dizer que Raquel e João partiram de lugares próximos, mas chegaram a lugares diferentes. Ela topou o desafio quando decidiu ir, ele priorizou um encontro que poderia ser feito em qualquer outro dia.


