Ministro do STF viajou a passeio em jatinho de empresário com advogado de banco investigado, depois decretou sigilo do caso. No Rio, juiz que foi afastado por suspeita de venda de sentença retornou à função, foi promovido e, agora, é suspeito de vazar operação contra deputado ligado à facção criminosa. Em Curitiba, um juiz federal grampeou magistrados da instância superior para tê-los na mão.

Nos últimos dias, descobertas em relação a condutas às vezes inadequadas, às vezes delinquentes de magistrados jogou luz sobre a necessidade de debater a atuação de vossas excelências fora dos autos.

É verdade que o Supremo Tribunal Federal foi uma pedra no caminho dos golpistas e sua atuação, a fiadora da democracia num momento sensível da história nacional. Isso é fato, contestado apenas pelo espectro político e ideológico mais reacionário, que a gente convencionou chamar de bolsonarismo. 

A instituição STF se mostrou suprema, mas supremos não podem ser seus integrantes. A ameaça institucional a que o Tribunal ainda está submetido exige de seus ministros, além de atuação judicante independente, compostura e prudência. É a tal da conduta ilibada, que anda – ou deveria andar – ao lado do conhecimento jurídico.

A população brasileira tem um Congresso Nacional inimigo do povo, que desmonta direitos e sequestra parte do orçamento público por meio das emendas. Isso a torna, em boa medida, em condição de necessidade de um Judiciário eficiente e também digno.

Debater, portanto, um melhor funcionamento do Poder Judiciário e a conduta de juízes, desembargadores e ministros também é sobre democracia.