O júri popular da ação penal que trata da Chacina de Poção, enfim, tem data marcada para acontecer: 10 de dezembro. Na ocasião, oito acusados de envolvimento no crime, incluindo a mandante, estarão no banco dos réus para responder por quatro homicídios qualificados. Em 2015, três conselheiros tutelares no exercício da função e uma idosa foram mortos a tiros no Agreste pernambucano.
As investigações apontaram que a disputa judicial pela guarda de uma criança de 3 anos foi a motivação para que a avó paterna, identificada como Bernadete de Britto Siqueira, contratasse um grupo de extermínio para eliminar membros da família materna e, assim, garantir a guarda da menina.
No dia 6 de fevereiro de 2015, uma sexta-feira, o veículo do Conselho Tutelar de Poção foi interceptado na zona rural de Poção, a 240 quilômetros do Recife. A emboscada resultou na execução de três conselheiros tutelares e a avó materna.
Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, José Daniel Farias Monteiro, Carmem Lúcia da Silva, então conselheiros tutelares, e Ana Rita Venâncio, avó materna da menina, foram mortos no atentado.
A criança também estava no veículo e foi a única a não ser atingida pelos disparos. Foi encontrada em estado de choque junto a avó já sem vida.
A denúncia do MPPE incluía também a tentativa de homicídio da criança, em razão dos autores terem assumido o risco de atingi-la. A tese, porém, não foi aceita.
O processo passou por desaforamento (retirada do julgamento da sua comarca original), a pedido do Ministério Público aceito pelo Tribunal de Justiça, para que a imparcialidade do julgamento fosse preservada.
O júri popular dos oito réus será realizado no Fórum Rodolfo Aureliano, em Joana Bezerra, no Recife. A data marcada, 10 de dezembro, por coincidência, é o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
CONANDA avalia posicionamento público
Na reunião que tem agendada para essa quinta-feira (13), o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente vai apreciar um posicionamento público sobre a Chacina de Poção. O pedido foi colocado na pauta por solicitação da representação do Gabinete Jurídico às Organizações Populares (Gajop).
Apenas um dos réus já foi condenado
Em fevereiro de 2024, após dois dias de julgamento, o Conselho de Sentença da 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital decidiu pela condenação de Wellington Silvestre dos Santos a um total de 74 anos e 8 meses de reclusão em regime inicialmente fechado.
As investigações apontaram Wellington como sendo autor dos disparos. Além dele e de Bernadete, acusada de ser a mandante, os demais réus respondem por envolvimento na participação e ocultação do crime.


